Apesar de precisar de algum ser humano ao meu dispor em tempo integral, posso dizer que durmo sozinha (não solitária...). Uma campainha mantém meu quarto potencialmente ligado ao da ‘cuidadora da noite’. Assim, resguardo uma significativa fatia da minha intimidade.
Lembro-me daquela noite... eu não tinha dogs... mas tinha cats. Eram dois. O mais novo era o Tom, um persa mestiço muito esperto.
Pois bem: eu via um filme pela TV, enquanto os olhos amarelos do Tom estavam fixos na janela atrás de mim. Não dei atenção ao fato, achando que ele estaria ouvindo o som das patas da grande e vigilante cachorra lá fora.Quando o filme chegou ao the end, desliguei a TV e percebi uma claridade inusitada. E aí os olhos do Tom ficaram ainda mais arregalados.Toquei a campainha e o Tom ronronou pra mim, enquanto seus olhos se voltavam para a entrada do quarto...Em poucos minutos, a cuidadora entrou:“_ Já sei!” e puxou a persiana da janela atrás de mim. Em seguida, andou pela casa, verificando o fechamento, tendo o Tom a segui-la. Da cama, ouvi:“_Gato! Pare de me vigiar.”Quando as luzes se apagaram, a tranquilidade da noite voltou a reinar.


